sábado, 20 de setembro de 2008

Memórias

Minhas memórias são minhas tatuagens cerebrais. Se elas ficam, ficam. Não consigo esquecê-las. Elas também têm dois nomes: lembranças, se são boas ou passado, se são ruins. Uma vez escutei de um professor que as lembranças são manipuláveis, qualquer um lembra o que quer ou pode mudar o que lembra. Eu não tenho essa sagrada habilidade. Queria eu.

Minhas lembranças são tatuagens que não me arrependo. Inclusive, gosto de ficar olhando para elas e tenho orgulho de elas serem permanentes e imutáveis. Também gosto de lembrar como minha pele foi cuidadosamente limpa e a tinta foi grudando nela. Imagino tudo em câmera lenta, para pensar por mais tempo.

Já meu passado eu prefiro deixar coberto com gaze colada com esparadrapo. Mas acontece que toda hora alguma coisa interfere na calmaria com que o esparadrapo vive. De vez em quando o esparadrapo solta e eu tenho que olhar para a maldita tatuagem, nem que seja apenas durante o tempo de colar outro esparadrapo. Mas não bastasse isso, basta apenas eu olhar a gaze para lembrar o passado. A gaze tapa minha visão, mas não tapa meu pensamento.

Ah memórias. Combinam tão bem com um copo de cerveja. O casamento perfeito. Então:

-Garçom, não deixes tu eu morrer de sede.
Bebi meu copo e a noite seguiu nostálgica na Taverna.

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